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Postado em 08 de Novembro de 2013 às 17h20

Benefícios da Sanidade na Qualidade das Sementes

Sementes (5)

Informativo ABRATES, vol. 20, no 3, 2010, José da Cruz Machado, Eng. Agr. Dr. Prof. Fitopatologia-Sementes,Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.

O desempenho de qualquer atividade agrícola, seja no âmbito empresarial ou familiar, é dependente de inúmeros fatores, alguns de natureza controlável e outros não controláveis. Insumos como: sementes, fertilizantes, equipamentos e implementos, defensivos e fatores como época de semeadura, dentre outros, podem ser controlados com certa margem de segurança em cada etapa da cadeia produtiva correspondente. Dentre os insumos de produção, a semente é certamente o principal, pelo seu papel veiculador da codificação genética do material a ser plantado, além de outras características que a tornam um insumo especial pela agregação de outros produtos considerados também propulsores do bom desempenho do material genético em foco.
Com base em informações de literatura a parcela de contribuição da semente em um sistema de produção, em função de sua qualidade, pode chegar a 20%, mantidas favoráveis as demais condições para tal cultivo. Entretanto, para atributos de qualidade como a sanidade inicial das sementes, o referido diferencial pode ser ainda mais elevado e comprometedor, em razão dos tipos e intensidade com que agentes patogênicos podem associar se às sementes em determinadas circunstâncias.
Para um melhor entendimento da relevância do aspecto sanitário de sementes, ou de qualquer outro tipo de material de propagação vegetal, basta observar as implicações que a associação de agentes patogênicos com sementes podem provocar no âmbito de danos/prejuízos à atividade agrícola direta e no que tange ao comprometimento que se estabelece nesta relação em termos de sustentabilidade desta atividade.
De maneira geral, a análise deste tema pode ser conduzida considerando se os danos que são registrados e visualizados no campo de cultivo e nas fases seguintes do sistema onde as sementes saem do controle de seus produtores e são distribuídas ao comercio intermediário ou diretamente aos consumidores finais.
Em campos de cultivo, os danos causados por doenças que se associam às sementes podem ser registrados na forma de perdas de estande ou de vigor das plantas emergentes, tornando as lavouras mais vulneráveis a estresses e, quase sempre, culminando com colapsos de algumas em fases mais avançadas de desenvolvimento, o que constitui focos de infecção para o progresso posterior das doenças na lavoura. De maneira geral, isto faz com que os produtores tenham que intervir na forma de eliminação dos focos de infecção que surgem e realizar pulverizações com fungicidas e inseticidas, em freqüência variada, dependendo das condições de cultivo. Estas providências podem ser evitadas ou minimizadas, caso as sementes apresentem um perfil de qualidade sanitária dentro de padrões aceitáveis, que cada caso requer.
Dentre os tipos de doenças que originam se das sementes, algumas, mesmo em incidência inicial baixa, podem tornar se um fator dos mais limitantes e comprometedores para a continuidade da exploração de algumas culturas em regiões onde são introduzidas. Doenças que estabelecem se no solo, ou que possuem formas alternativas de sobrevivência prolongada na área de plantio, como é o caso de mofo branco ou podridão de sclerotinia, murchas de fusarium, algumas bacterioses etc em culturas como soja, milho, feijão, algodão, trigo e outros hospedeiros cultivados em grande escala no Brasil, fazem com que estas áreas se tornem imprestáveis por muitos anos, sendo restritivas também para o cultivo de inúmeras outras culturas de interesse econômico-social.
Com base, portanto, na análise das implicações negativas que a má qualidade sanitária das sementes pode causar em sistemas agrícolas, torna-se fácil entender os benefícios do uso de sementes com qualidade comprovada, isentas de agentes patogênicos. Esta condição pode ser indicada por meio de testes laboratoriais e garantida pelo rigoroso acompanhamento e manejo de alguns fatores nas fases de campo, beneficiamento e armazenamento. Além do combate das doenças e pragas em condições de campo, contam, atualmente, os produtores rurais com tecnologias eficazes de monitoramento da qualidade das sementes, por meio de testes de sanidade e de tratamento sanitário, que constitui arma poderosa para eliminar o inóculo infectivo de muitos agentes patogênicos associados às sementes ou localizados nos ambientes de semeadura.
Em resumo, o uso de sementes com qualidade sanitária garantida, ao lado dos demais atributos: genéticos, físicos e fisiológicos, é a forma mais simplificada e econômica de se reduzir custos de produção e assegurar a sustentabilidade dos cultivos de interesse geral, principalmente em paises com características agronômicas, como o Brasil.

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