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Postado em 08 de Novembro de 2013 às 17h25

Época de semeadura x Condições climáticas x Dormência

Sementes (5)

Armando Correa Pacheco, Eng. Agr. MSc. Fitopatologia, ADV Consultoria Agronômica Ltda.
A época de semeadura das culturas é estabelecida através de pesquisa, em função de muitas variáveis que levam em consideração condições ambientais como altitude, precipitação pluviométrica, temperatura e a espécie vegetal em questão, em especial a cultivar ou variedade. As épocas de semeaduras para as diferentes culturas correspondem a otimização dos períodos em que uma determinada espécie pode encontrar as melhores condições para obter seu potencial produtivo em todas as fases de seu desenvolvimento. O homem, através de tecnologias que são capazes de propiciar condições específicas requeridas por determinada espécie vegetal, pode alterar as épocas de sua produção, especialmente em pequenos cultivos e abrigados, como ocorre na produção de hortaliças produzidas ao abrigo de “estufas”. Entretanto quando se trata de grandes culturas, é mais difícil, ficando restrito muitas vezes ao surgimento de cultivares com ciclos diferenciados. Sempre que o homem tenta antecipar ou protelar a semeadura de uma cultivar, em relação a sua melhor época, fica sujeito ao risco de perdas. Um dos exemplos bem conhecidos dos produtores é a antecipação da semeadura de milho, visando sua colheita para uma época em que há escassez desse produto. Essa necessidade leva os produtores a semear o milho em uma época em que o solo ainda está muito frio para a espécie, o que causa atraso na germinação. Essa demora na emergência das plântulas, favorece o ataque das sementes por pragas e fungos do solo, produzindo uma redução na população de plantas com conseqüente redução de produtividade, isto quando a perda não é total e neste caso, há a necessidade de ressemeadura da área. Por outro lado, espécies de inverno como trigo, triticale, aveia, azevém, centeio, ervilhaca e nabo forrageiro, necessitam de determinadas horas de frio para “superar a dormência” e dar início o processo de germinação. Como exemplo citamos reclamações de produtores, ocorrido em alguns anos, quando anteciparam a semeadura da aveia, resultando em problemas de germinação e baixo estabelecimento de plantas. Na verdade, quando isto ocorre, é porque as condições climáticas não propiciaram as horas de frio necessárias para superação de dormência das sementes para favorecer a germinação. Quando se trabalha com sementes de origem idônea, problemas de germinação dificilmente são atribuídos à semente, porque pela legislação nacional sobre produção e comercialização, os padrões de campo e de laboratório existentes, asseguram essa qualidade. Como se viu, no processo de germinação tem espécies que não toleram o frio, como no caso do milho, e outras espécies que precisam de temperaturas baixas para “quebrar a dormência” das sementes e germinar como ocorre com as espécies de inverno.
O Laboratório, avalia a qualidade das sementes para fins de semeadura no campo, através de métodos de análise em condições controladas, em que são considerados as exigências de cada espécie conforme quadro a seguir.

ESPÉCIE DE SEMENTE
TRAT. P/SUPERAR
DORMÊNCIA
TEMP.(°C) PARA GERM.
AVALIAÇÂO EM DIAS
Arroz
Pré-secagem à temp. de 50°C durante 96h em estufa com circulação de ar
25
14
Milho
Não necessita
20 ou 25 ou 30
07
Trigo e Triticale
Pré-esfriamento à temp. de 5 a 10°C durante 5 dias.
15 ou 20
08
Aveia Branca e
Aveia Preta
Pré-esfriamento à temp. de 5 a 10°C durante  7 dias.
15 ou 20
 
 
10
Azevém
KNO3 e
Pré-esfriamento à temp. de 5°C durante  7 dias.
15 a 25 ou 20.
14
Centeio
Pré-esfriamento à temp. de 5 a 10°C durante 5 dias.
20 ou 15
07
Ervilhaca
Pré-esfriamento à temp. de
5 a 10°C durante 7 dias.
20
14
Nabo Forrageiro
Pré-esfriamento à temp. de
5 a 10°C durante 7 dias.
20
10

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